
| O sistema proposto é composto por três tipos de blocos de encaixe, sendo um de canto. A peça principal possui características de um painel, com 90 centímetros de altura |
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O Brasil possui as maiores reservas de gesso do mundo – mas usa muito pouco essa matéria-prima. No país são empregados cerca de 15 kg/hab/ano de gesso, enquanto nos Estados Unidos, maior produtor mundial, são mais de 100 kg/hab/ano. Na Europa são consumidos cerca de 80 kg/hab/ano.
Integrada ao Programa de Tecnologia de Habitação (Programa Habitare), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) busca maior aproveitamento dessa matéria-prima em habitações de interesse social.
O projeto é direcionado ao desenvolvimento de um sistema construtivo modular à base de blocos de gesso. “Trata-se de um sistema racionalizado que busca reduzir o desperdício de materiais, racionalizar a mão-de-obra, os tempos de execução e, conseqüentemente, os custos finais da construção”, explica o professor Normando Perazzo Barbosa, coordenador do trabalho que faz parte da rede de pesquisa ´Desenvolvimento e difusão de tecnologias construtivas para a habitação de interesse social/Coordenação Modular`.
Blocos de encaixe
O sistema proposto é composto por três tipos de blocos de encaixe, sendo um de canto. A peça principal possui características de um painel, com 90 centímetros de altura. As dimensões dos blocos e do sistema, bem como do projeto, são múltiplos inteiros de 10 centímetros – unidade básica da coordenação modular no Brasil. Na concepção dos blocos houve participação da arquiteta Christiane Cavalcanti, que desenvolveu uma dissertação de mestrado sobre o tema.
O grupo trabalha também com a preocupação de desenvolver os componentes de forma simplificada, principalmente nos detalhes de moldagem, para permitir a fabricação artesanal. O processo é o mesmo empregado para produção de blocos convencionais de gesso, com um misturador, mesas e réguas.
A sistemática também permite que com apenas três fiadas assentadas seja alcançada a altura piso-teto equivalente a 2,90 metros, o que torna possível prolongar o beiral para abrigar as paredes da chuva. Proteger os blocos da água é um dos desafios enfrentados pelo projeto, já que o gesso tem características de solubilidade.
“Estudos estão sendo feitos no sentido de intervir na matriz de gesso para aumentar sua resistência em relação à água”, explica o professor Normando. Em outros países, resinas são usadas para manter a integridade do bloco de gesso em relação à água. Na UFPB, nas próximas etapas do estudo a construção de um protótipo vai permitir a aplicação dos blocos e a percepção de novas frentes de pesquisa para aprimoramento do material.
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